sábado, 14 de julho de 2012

SEGURO-DESEMPREGO: A PARTIR DESTA SEGUNDA-FEIRA (16/07), SETRAB IRÁ ENCAMINHAR TRABALHADORES A CURSOS DE QUALIFICAÇÃO


Atendendo determinação do Mistério do Trabalho e Renda (MTE), a Secretaria de Estado de Trabalho e Renda (Setrab) iniciará nos postos do Sine, a partir do dia 16 de julho, as ações do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), direcionadas ao trabalhador requerente do seguro-desemprego. Ao dar entrada a este serviço, o cidadão terá direito à Bolsa-Formação, que irá oferecer cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) - mais conhecido como qualificação profissional – de curta duração (carga mínima de 160 horas, sendo realizados em período máximo de quatro horas diárias, preferencialmente diurnos), sem custo algum.

O programa tem como objetivo principal expandir e democratizar a oferta de cursos de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) para a população, atingindo, principalmente, as pessoas com vulnerabilidade social. Neste caso, além de manter o seu benefício, o trabalhador terá direito a gratuidade no curso, alimentação, transporte e material escolar. Após a conclusão, o cidadão estará apto a uma nova inserção profissional.

Como funciona - Ao requerer o seguro-desemprego, o trabalhador será automaticamente inscrito no processo de qualificação profissional e, no próprio posto do Sine, obterá a informação de quais cursos estão sendo ofertados (veja abaixo alguns exemplos) e aonde poderão fazê-los – Sesi, Senac e as instituições estaduais de Educação Profissional e Tecnológica (EPT).
Caso rejeite esta opção, ele terá o seu seguro-desemprego suspenso, salvo em algumas situações: 1) se estiver solicitando o benefício pela primeira vez; 2) se estiver recebendo a última parcela deste benefício; 3) ou caso esteja participando de outro curso de qualificação profissional, reconhecido pelo MEC e com a mesma carga horária ou superior (sendo necessária apresentar sua comprovação da instituição de ensino).

Prioridade é reinserir trabalhador no mercado - Como estudos do mercado de trabalho comprovam que profissional qualificado tem mais chance de uma reinserção, o secretário de Estado de Trabalho e Renda, Paulo Novaes, reforça aos trabalhadores que procurem as unidades do Sistema Nacional de Emprego (Sine) para que entrem de imediato neste programa.

“Por ser prioridade recolocar o cidadão no mercado de trabalho, esta ferramenta do Bolsa-Formação vai ajudar e muito as empresas terem uma mão de obra mais qualificada, justamente para manter o funcionário por mais tempo”, afirma Paulo Novaes.

Os interessados podem entrar em contato com a Ouvidoria pelo telefone (21) 2332-9999 ou mesmo pesquisar pelo portal da Setrab os postos mais próximos da sua residência.

Exemplos dos cursos que serão disponibilizados:

Almoxarife;
Auxiliar Administrativo;
Auxiliar de Crédito e Cobrança;
Auxiliar de Faturamento;
Agente de Informações turísticas;
Costureiro;
Ilustrador;
Mecânico de Manutenção em Máquinas Industriais;
Padeiro;
Pedreiros de Alvenaria;
Auxiliar de Tesouraria;
Balconista de Farmácia;
Camareira em Meios de Hospedagem;
Operador de Caixa;
Recepcionista.

RIO É PREMIADO NO 59º CONGRESSO DE MOBILIDADE E EXIBIÇÃO DOS TRANSPORTES NAS CIDADES


 19/04/2011

Projeto do Bilhete Único foi agraciado no evento que 
aconteceu em Dubai

O diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Rodoviário e Terminais do Estado do Rio de Janeiro (Coderte), Ronaldo Francisco, participou do 59º Congresso de Mobilidade e Exibição dos Transportes nas Cidades, realizado em Dubai, nos Emirados Árabes.

- O prêmio, concedido à iniciativa do governador Sérgio Cabral de implantar o bilhete único no estado do Rio de Janeiro, pertence, na realidade, à população do Grande Rio, que diariamente necessita do transporte intermunicipal para realização dos seus afazeres – disse ao desembarcar no Rio de Janeiro.

No evento, organizado pela Associação Internacional dos Transportes Públicos, o estado do Rio de Janeiro foi premiado pelo acerto da implantação do “Bilhete Único Intermunicipal”, apontado como o melhor programa de transporte da América Latina, na categoria Introdução a Novas Políticas de Transportes.

O prêmio foi entregue pelo presidente mundial da UITP, Alain Flausch, ao secretário de Transportes do Estado do Rio de Janeiro, Júlio Lopes, para quem o reconhecimento internacional é prova inequívoca do impacto positivo do Bilhete Único para a população da Região Metropolitana.

Em operação desde fevereiro de 2010, a iniciativa, definida como de fundamental importância para a população do Rio e Grande Rio, já beneficiou mais de dois milhões de pessoas habilitadas ao serviço, atendendo-as em 291 milhões de viagens, proporcionando-lhes, até aqui, no conjunto, uma economia de R$ 279 milhões.

No Brasil, o benefício foi apontado pela Fundação Getúlio Vargas como importante ferramenta na geração de empregos no Rio de Janeiro, além de assegurar a economia média diária de R$ 2,62 para cada usuário do sistema em seus deslocamentos de ida e volta de suas casas ao trabalho. 

Mosquito transgênico combaterá a dengue


INOVAÇÃO

Mosquito transgênico combaterá a dengue


Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou, neste sábado (7) na Bahia, da inauguração de fábrica que irá produzir em larga escala vetor estéril. Governo aposta na iniciativa, inédita no mundo, para controle da doença
O Brasil dará início à produção em larga escala de mosquito transgênico que será utilizado para o combate à dengue. Neste sábado (7), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou, na Bahia, da inauguração da fábrica com maior capacidade de produção mundial do mosquito da dengue estéril. A unidade funcionará em Juazeiro, na sede da empresa pública Moscamed, especializada na produção de insetos transgênicos para controle biológico de pragas. 
Com 720 m2 de área, a unidade fabril vai confeccionar em larga escala do macho do Aedes Aegypt geneticamente modificado. A produção do mosquito transgênico será supervisionada pelo Ministério da Saúde. A intenção do governo federal é utilizar tecnologia inovadora criada nacionalmente como opção de controle da dengue em todo o Brasil. “Nós incentivamos o desenvolvimento deste projeto e vamos monitorar de perto, pois promete ser uma alternativa efetiva de controle da principal epidemia urbana do país”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que esteve presente no evento, ao lado do governador da Bahia, Jacques Wagner, e de outras autoridades públicas. "Nossa expectativa é ter esse tipo de tecnologia agrupada a outras para controlar a dengue , com isso conseguiremos melhorar o diagnóstico e o tratamento. Para isso, é preciso apostar em novas tecnologias", ressaltou Padilha.
A unidade fabril é um braço da empresa pública Moscamed, biofábrica criada em 2005 e subsidiada pelo Ministério da Agricultura e pelo governo do estado da Bahia, especializada na produção de insetos transgênicos para controle biológico de pragas. Sua capacidade máxima de produção é 4 milhões de machos do Aedes Aegypt estéreis por semana. Estes mosquitos, liberados no ambiente em quantidade duas vezes maior do que os mosquitos não-estéreis, vão atrair as fêmeas para cópula, mas sua prole não será capaz de atingir a fase adulta, o que deve reduzir a população de Aedes a tal nível que controle a transmissão da dengue. Inicialmente, os insetos serão liberados no município baiano de Jacobina, com 79 mil habitantes, que apresentou 1.647 casos de dengue e dois óbitos pela doença só neste primeiro semestre de 2012. A ação é inédita mundialmente: é a maior liberação de insetos transgênicos de controle urbano do mosquito da dengue. O governo de estado da Bahia está investindo 1,7 milhões no projeto.
Já há resultado bem sucedido de projeto piloto realizado entre 2011 e 2012 em dois bairros de Juazeiro (BA) – Mandacaru e Itaberaba –, ambos com cerca de 3 mil habitantes, e alto índice de proliferação do mosquito. Com o emprego desta técnica, houve redução de 90% população do mosquito em seis meses nestes distritos. Com a experiência em Jacobina, uma cidade de médio porte, será possível mensurar a redução da doença na população. O projeto em Jacobina também vai verificar a melhor maneira de adaptar o mosquito ao ambiente, como transporte e logística adequados. Inicialmente, será transportada a pupa (fase do inseto) em containers, e não o mosquito adulto, pois acredita-se que este morreria após algumas horas de viagem. 
A partir dos resultados, o governo poderá expandir a estratégia para todo o país e, dentro de alguns anos, incorporá-la ao Sistema Único de Saúde (SUS) como um dos mecanismos de combate à doença. Os estudos para mensurar o impacto em termos de redução da dengue levam pelo menos 5 anos, de acordo com o National Institute of Health (órgão equivalente ao Ministério da Saúde americano). Para que a tecnologia seja incorporado ao SUS e reproduzida comercialmente por empresas privadas, deve ter a aprovação da  Comissão Técnica Nacional de Biossegurança(CTNBio), do Ministério da Saúde, da Anvisa, do Ibama e do Ministério da Agricultura.
“Para combater a dengue, é necessário a aliar várias estratégias conjuntamente: além do controle do vetor, é importante o investimento na vacina da dengue e o tratamento de casos graves”, ressaltou Padilha.
PESQUISA -- O ministério tem acompanhado a pesquisa com o Aedes Aegypt transgênico desde o seu início, em 2010, que começou com a adaptação do mosquito em laboratório da Universidade de São Paulo (USP). Conhecido como PAT (Projeto Aedes Transgênico), o estudo foi desenvolvido em parceria com a empresa britânica Oxitec, que desenvolveu a primeira linhagem do inseto transgênico. Esta teve de, posteriormente, ser adaptada ao ambiente nacional. Em 2011, a Moscamed entrou na parceria e deu um salto quantitativo na produção do mosquito, com 550 mil mosquitos.
A Moscamed foi criada em 2005, e ganhou notoriedade depois de um case bem sucedido de controle biológico no Brasil da chamada “mosca-do-mediterrâneo”. Esta praga, conhecida como “bicho da goiaba”, também presente em outras frutas, inviabilizam a comercialização delas, causando prejuízos da ordem de US$ 120 milhões por ano para a fruticultura brasileira e mais de US$ 2 bilhões para a fruticultura mundial. Uilizando a “Técnica do Inseto Estéril”, a Moscamed conseguiu reduzir a população deste bicho a níveis abaixo do dano econômico, e ampliou o acesso do Brasil ao mercado internacional de frutas, principalmente para os Estados Unidos, Japão e União Européia. A organização foi escolhida pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para ser a primeira Biofábrica do mundo a utilizar a tecnologia de raios-x para a esterilização de insetos. É reconhecida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) como entidade de pesquisa.
EPIDEMIA -- No primeiro semestre de 2012 (janeiro a junho), já foram registrados 431.194 casos de dengue em todo o País. A Região Sudeste tem o maior número de casos (182.895 casos; 42,4%), seguida da Região Nordeste (168.935 casos; 39,2%), Centro-Oeste (43.228 casos; 10,0%); Norte (31.927 casos; 7,4%), e Sul (4.209 casos; 1,0%). A Bahia apresentou mais de 41 mil casos de dengue em 2012. É o terceiro estado com maior número de notificações, atrás do Rio de Janeiro e Ceará.

Câmara temática debate regulação de emergências em grandes eventos


13/07/2012
COPA 2014

Câmara temática debate regulação de emergências em grandes eventos

A oitava reunião temática da Saúde para Copa do Mundo, que acontece em Belo Horizonte, dá continuidade ao plano de ação em vigilância e saúde para a competição
Representantes do Ministério da Saúde, estados e municípios estão reunidos em Belo Horizonte, onde discutem o planejamento das ações de saúde das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Entre os assuntos abordados, o destaque ficou para a regulação de emergências em grandes eventos. A estratégia de capacitação de profissionais da saúde para situações de emergência em eventos de massa também é  tema da reunião, que teve início nesta quinta-feira e termina hoje.
De acordo com o coordenador da Câmara Temática e secretário-adjunto do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, as reuniões entraram em um novo estágio. “A Câmara Temática vem em um processo de acúmulo de ações de saúde. Agora, o grande desafio é criar homogeneidade nas cidades-sede. Vamos começar a elaborar os planos de contingência e, pensando nisso, simular eventos preparatórios, como já fizemos no carnaval de Recife e no festival folclórico de Parintins”, explica.
Massuda lembra ainda que a preocupação de todos é fazer um trabalho conjunto com as cidades-sede. Para ele, a reunião tenta conciliar a pauta dos temas com as necessidades da Câmara.
O oitavo encontro também apresenta a sistematização da oferta atual de capacitação do nível federal. Este tema é demanda desde a primeira reunião e agora ganha destaque para apresentar as estratégias de capacitação dos profissionais de saúde para a Copa. A capacitação é importante para aprimorar a atuação das equipes de profissionais de saúde do SUS para atuar em grandes eventos como a Copa do Mundo. “Esse é mais um tema importante que entra na pauta da Câmara Temática. O Ministério da Saúde vai apresentar ofertas de capacitação de acordo com as necessidades das cidades-sede, nas áreas de vigilância e assistência”, afirma Adriano Massuda.
COMPLEXO DE REGULAÇÃO DAS URGÊNCIAS – A unificação das ações planejadas pela Câmara é fundamental para o sucesso do País na Copa do Mundo, mas de acordo com o coordenador-geral de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde, Paulo de Tarso, cada cidade tem sua característica, que deve ser levada em consideração em todo o planejamento. “Precisamos avaliar as condições de cada cidade que, de acordo com a região, oferecerá riscos diferentes para os turistas. Por exemplo, em Salvador chove muito. Com isso, é preciso pensar em que ações a central deste estado vai operacionalizar, em quais riscos as pessoas estarão expostas”, pondera Paulo de Tarso.
Para Adriano Massuda, as reuniões mostram que a regulação das emergências é necessária para que o Brasil possa sediar eventos de grande porte. “Nós vamos receber grandes eventos até a Copa do Mundo. Vamos receber o encontro de jovens com o Papa, em 2013, a Copa das Confederações, também em 2013, e por isso o sistema de saúde precisa crescer. Quando pensamos na Câmara Temática, pensamos no fortalecimento do SUS”, avalia.
PARCERIA INTERNACIONAL– Representantes da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais estiveram, neste mês, na França, onde firmaram um acordo de cooperação internacional com a Associação dos SAMU de France e Assistance Publique Hôpitaux de Paris. “Eles vão nos ajudar com o desenvolvimento da legislação sanitária e a capacitação do SAMU. Vão prestar consultoria in loco, na compra dos equipamentos, e assessoria durante a Copa do Mundo”, comenta Welfane Cordeiro, coordenador de urgência e emergência da SES/MG.
A Câmara Temática da Saúde é coordenada pelo Ministério da Saúde, que faz a interlocução com as 12 cidades e os estados onde serão realizados os jogos: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).Entre os objetivos da Câmara, estão o de coordenar o planejamento de ações nacionais na área da saúde, estabelecendo diretrizes gerais e metas, ações estratégicas articulando e apoiando essas ações com os municípios-sedes.

Globo Repórter - As Dívidas dos Brasileiros


Edição do dia 13/07/2012


Dívidas preocupam 62% das famílias que moram nas capitais brasileiras

Para tentar entender o gigantesco universo de compras, dívidas e juros, a Federação do Comércio de São Paulo estudou o comportamento das famílias brasileiras nos últimos dois anos.


ISABELA ASSUMPÇÃO E ROSANE MARCHETTISão Paulo e Porto Alegre
Era uma vez um povo que sonhava em morar numa casa espaçosa, confortável. Na cozinha, fogão e geladeira novos. Na sala, a televisão enorme e o computador de última geração. Na porta da casa, mostrando o quanto a vida melhorou, o carro novo à espera da próxima aventura da família.
Milhões de brasileiros dão duro todos os dias para transformar esse sonho em realidade. Desejamos, planejamos. Estamos sempre fazendo contas. E mesmo quando não temos todo o dinheiro pra levar pra casa o nosso objeto do desejo, nada nos impede. Afinal, quem sonha, tem crédito.
E são bilhões de reais em crédito. Para tentar entender esse gigantesco universo de compras, dívidas e juros, a Federação do Comércio de São Paulo estudou o comportamento das famílias brasileiras nos últimos dois anos.
Com informações de consumidores das 26 capitais e do Distrito Federal, foi se desenhando um mapa do endividamento no país. A conclusão? Dívidas? Atire a primeira pedra quem não tem nenhuma?
Ao todo, 62% das famílias que vivem nas capitais brasileiras têm algum tipo de dívida. O músico e publicitário Rafael. O analista de compras Rafael. Dois jovens que antes dos 30 vivem seus últimos momentos de solteiro. E como diz o velho ditado: quem casa, quer casa.
“Eu não quero casar endividado, eu só caso com você se não tiver dívida. Se tiver eu não vou casar”, ressaltou o analista de compras Rafael Bezerra.
“Eu concordei na hora. Nossa, mudou, viramos adultos”, lembrou a assistente financeira Bruna Vila Toledo.
Deixar o mundo do faz de conta, onde tudo dá certo, não foi fácil. Logo no início da vida profissional, Rafael e Bruna foram enfeitiçados pela magia do consumo. Gastaram bem mais do que podiam. E ainda enfrentaram o pesadelo do desemprego. Tudo, tudo parecia conspirar contra o final feliz.
“Tínhamos o carro. Roubaram o carro. Não tínhamos o seguro, por conta de não ter pago o seguro. Aí ficamos com a dívida do carro. Então acumulou o cheque especial, a dívida do carro, o boleto”, contou Bruna.
“Chegou alguma hora que vocês olharam aquilo e viram que tavam realmente em apuros ou não?”, perguntou a repórter.
“Não, nem olhava, a gente já sabia que tava em apuros. Nem vou olhar . Meu Deus”, disse Rafael.
Mas o que os olhos não veem, o coração sente. E muito. Os problemas financeiros abalaram o romance.
“Se você não tiver cabeça, essas coisas entram no relacionamento e acabam. Não tem jeito”, revelou Rafael.
“Ele ficou muito nervoso, ficou muito revoltado na época. Não tinha paciência com nada, nem comigo, muito menos comigo. Resolveu falar, eu vou curtir a minha vida e fica cada um pro seu lado. Falei, então está bom”, disse Bruna.
“Aí depois de três meses a gente voltou o namoro”, lembrou Rafael.

“Esses três meses que ficamos separados serviu muito. Cada um sentou e pensou realmente, existe um futuro, nós vamos ficar velhos, foi uma lição mesmo pra nós”, destacou Bruna.
Com paciência e amor, eles recomeçaram. Emprego novo. Vida nova.
“Eu olhei pra dívida, eu tive coragem de olhar pra ela, falei assim, agora vamos conversar”, completou Rafael.
“O brasileiro é um bom pagador. Todos os indicadores de inadimplência que nós temos disponíveis mostram isso. De R$ 600 bilhões que estão emprestados no mercado, apenas 8% estão sem pagamento, estão inadimplentes”, afirmou o assessor econômico da Fecomercio/SP, Altamiro Carvalho.
“Renegociamos tudo. Eu entrei em contato com os bancos”, contou Rafael.
“Aí acabou cinema, restaurante, pizzaria”, disse Bruna.
“Ou seja era possível. Era uma questão de organização, dedicação, foco naquilo que você tá fazendo”, completou Rafael.
Foco? Organização? Isso nunca foi problema para outro Rafael, o publicitário que usa a música para passar a sua mensagem.
“Eu comecei a trabalhar com uns 16 anos, mais ou menos. Então desde essa época eu já falei: ‘bom, algum dia eu vou querer comprar a minha própria casa, o meu próprio apartamento. Então já vou guardando dinheiro porque eu sei que algum dia eu vou precisar usar’”, disse o publicitário e músico Rafael Ortega.
O dinheiro que estava na poupança, agora está todo em um apartamento. Com uma ajudinha da família, Rafael e Regiane vão começar a vida a dois com apartamento próprio, e reformado do jeito que eles sonharam.
“A gente priorizou o apartamento em relação ao casamento, a festa”, contou Rafael.
“A gente preferiu investir no apartamento porque é uma coisa que vai pra vida toda”, completou a quiropraxista Regiane Wiens.
Nesse caso a vida real conspirou a favor. O pai e os tios de Rafael receberam o imóvel de herança e concordaram em vender para o casal. Um negócio de família, sem juros. A parte dos tios, os noivos já conseguiram pagar. A do pai. Bom, a do pai, “eu propus pra ele, eu falei: ‘pai, que você acha de eu pagar em quatro anos, R$ 1,5 mil por mês?’. Se eu fosse pagar um aluguel ia ser por aí. Então, ele falou: ‘claro, quatro anos, não tem problema. Eu quero te ajudar’”, explicou Rafael.
Quem não sonha com uma facilidade dessa? Em todo o país, são três milhões de imóveis financiados. Juros em cima de juros. É como correr, correr e quase não sair do lugar.
Tânia pagou R$ 768 este mês de prestação do apartamento, R$ 383 só de juros.
“Você sofre um pouco quando vê todos esses papéis de todas as prestações que já foram e as que faltam ainda?”, perguntou a repórter.
“Na verdade eu falo assim: ‘oba, isso aqui já passou, eu já paguei’”, disse a funcionária pública Tânia Maria Ferreira.
O apartamento de 44 metros quadrados foi financiado em 20 anos. Dívida longa, com vista privilegiada.
“Eu me animei porque eu tive conversando com o gerente, ele falou: ‘olha, 80% das pessoas que financiam, elas quitam o imóvel no máximo em 10 anos’. Eu pensei: ‘eu vou estar nessa faixa’”, lembrou Tânia.
Dos R$ 69 mil que financiou, Tânia já pagou mais de R$ 40 mil. E ainda deve R$ 56 mil. Conta que assusta qualquer um.
“Eu fiz os cálculos do nosso. A gente conversou sobre isso. O nosso daria dois apartamentos e meio”
“E começar a vida com uma dívida já pesada não te pareceu uma boa?”, perguntou a repórter.
“Não, não. Já começar com problema no relacionamento, não vale a pena”, respondeu Regiane.
O Rafael e a Bruna sabem bem disso. No computador, a saída que eles encontraram para uma vida mais tranquila. Rafael trata como uma filha a planilha que ajudou o casal a escapar da crise financeira e amorosa.
“O cartão de crédito meu e da Bruna, aí tem a mensalidade da escola, curso, academia, tem faculdade, tem dentista”, explicou Rafael.
Tudo muito bem controlado por quem não quer repetir o erro.
“Agora nesse caso de janeiro que vocês ficaram no negativo, isso quer dizer o quê? Que vocês entraram de novo no cheque especial?”, perguntou a repórter.
“Não, a gente já tinha um dinheiro guardado. Na verdade ele também serve de um seguro pra você. Como a gente está em estado de casamento, sempre vai ter aquela coisinha que a gente vai ter que gastar. Não é estado de graça, é estado de casamento”, afirmou Rafael.
E como quem casa, sempre quer casa. Rafael e Bruna já tem um apartamento pra chamar de seu. Vai ser entregue só em setembro, depois do casamento. Mas, tudo bem. Se o final for feliz, ninguém se importa de esperar mais um pouquinho.
Em um mundo de tentações. Difícil resistir. A cada passo, a cada olhar, a gente sente que vai mesmo realizar um sonho. Afinal o crédito é fácil e as prestações baixinhas. Parecem caber direitinho no nosso bolso.
Dona Cleide faz parte de um exército de brasileiros que carregam cada vez mais sacolas de compras.
“Estou comprando mais do que eu comprava alguns anos atrás”, afirmou a aposentada Cleide Fernandes Neimaer.
“Por que aumentou a sua renda ou facilitou o crédito?”, perguntou a repórter.
“Facilitou o crédito filha, facilitou o cartão. Cartão facilita muito, tu sabendo trabalhar com ele. Tu não ter três cartões tudo em cada loja, não. Eu faço assim: eu termino de pagar esse, pego outro pago. E se aquele que está bom eu entro no meio”, respondeu Cleide.
Comprar é muito bom. Ruim, é não poder pagar. Ninguém quer estragar o sonho de ninguém, mas se nessa hora de euforia a conta não for feita direitinho, perigo à vista. Ou melhor, à prazo. Em infinitas prestações.
“O endividamento por si só ele não é uma coisa ruim. Quando a família se endivida, ela simplesmente está comprando a credito. O problema é quando as famílias não tem a capacidade de honrar as dividas que elas assumiram”, explicou a economista Patrícia Palermo.
E as famílias de Porto Alegre têm a maior dívida média do Brasil. São R$ 2.180 por mês. Fomos atrás desses compradores. Cheios de contas pra pagar. Encontramos Anajara, com três financiamentos, muitas parcelas e apenas um salário mínimo. Ela entrou no SPC.
"Meu sonho mesmo é pagar essas dívidas e ficar com o nome limpo para conseguir o meu cartãozinho normal", disse a empregada doméstica Anajara Martins Soares.
Mas o que fazer para não ficar com o nome sujo na praça? Ouvimos economistas e consumidores. A regra número um e elementar: não gastar mais do que se ganha.
“O que as pessoas têm que ter claro na sua cabeça é que acabou-se o tempo de se fazer contas baseadas na lembrança. As famílias vão ter que sim, sentar ao redor de uma mesa, botar nas contas num papel e deixar claro a todos os envolvidos quanto se ganha, quanto se gasta e quanto se pode gastar”, afirmou Patrícia Palermo.
Seja um comprador. E também um poupador.
“Ele pode adquirir coisas, ele pode ser feliz comprando coisas. Gastando, mas fazendo poupança”, ressaltou o economista PUC-RS Alfredo Meneghetti.
E pesquise muito, para ter certeza de que não vai errar.
“Primeiro eu estudo quanto dá de juro no final. Se vale a pena eu compro no carnê, se não vale a pena eu vou pro cartão, se não vale a pena o cartão, eu compro à vista”, afirmou a recreacionista Sílvia Marques.
E ao comprar à vista. Peça desconto, ele parece pequeno, mas vale a pena.
“Pelo histórico inflacionário as pessoas pensam que um bom desconto à vista fosse 20%, 10%, mas o que o lojista consegue repassar efetivamente como desconto à vista pro seu cliente acaba ficando em torno de 5%, que é o custo que ele tem se ele for antecipar esse recebível com uma operadora de cartão de crédito, com o banco”, explicou o presidente da CDL-Porto Alegre, Gustavo Schifino.
E vale a pena comprar à prazo?
“O vilão nessa história não é o parcelamento, o parcelamento ele ajuda. Tu vai antecipar o prazer de uma compra. E sempre com cuidado de não pagar um juros muito alto nisso”, completou Gustavo Schifino.
E não assuma dívidas antes de analisar o orçamento da casa. Lembre que você tem água, luz, telefone e o supermercado para pagar.
Além da razão, o coração tranquilo também ajuda muito. Nunca devemos ir às compras sob efeito de sentimentos fortes como inveja, tristeza,raiva ou competitividade. Porque acabamos compensando essas frustrações nas compras. E mais um segredinho: não confunda necessidade com desejo de comprar.
Para assistir o vídeo da reportagem clique aqui.